Discussões

Aqui dialogo com alguns pensadores.

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O aprendizado, partindo da concepção de Vygotsky, requer o social para se estabelecer. O homem só é homem através do contato com a humanidade. Não que não seja capaz de sê-lo, que não tenha os meios biológicos para sê-lo, mas falta-lhe o subsídio para sê-lo, que é o contato com o humano.
Daí, pode-se pensar na concepção cíclica do homem em sua humanidade. Como em Nietzsche, em seu eterno retorno, não há origem, não há homem originário. O homem se faz homem sendo homem, vivenciando e compartilhando sua humanidade.
Por outro lado (aí vem a parte dura e cruel da sociedade de classes), vivendo em um determinado grupo social, o indivíduo adquire determinados hábitos típicos e necessários a sua noção de pertencimento. E a sociedade de classes destaca e valoriza (ou desvaloriza) determinados hábitos conforme sua necessidade de sobrepujar o outro, ficando fácil inculcar, através dessa valorização ou desvalorização, a aceitação de determinadas funções e posições sociais.
Lendo Psicologia na Educação de Davis e Oliveira:
Davis, Cláudia; Oliveira, Zilma de Moraes Ramos. Psicologia na Educação. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

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“Ensinar o povo a ver criticamente o mundo é sempre uma prática incômoda para os que fundam os seus poderes sobre a inocência dos explorados...”.
Paulo Reglus Neves Freire

Lendo apenas esta frase, percebe-se muito dos motivos para a forma como são conduzidas as políticas públicas em Educação.
Sistemas que concentram ou permite que se concentre poder, faz uso ou é refém de uma dita educação que impede que todas as instâncias da sociedade participe igualitariamente nas decisões do que é comum a ela.
Além disso, aqueles que porventura ousarem desafiar esta lógica cruel, é de alguma forma 'convidado' a se calar.
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"O fato de ocultar ao jovem o papel que a sexualidade terá em sua vida não é a única recriminação que se deve fazer à educação atual. Ela também peca em não prepará-lo para a agressividade, de que ele certamente será objeto. Ao soltar os jovens na vida com uma orientação psicológica tão incorreta, a educação age como quem envia pessoas para expedição polar com roupas de verão e mapas dos lagos italianos. Torna-se aí evidente um certo abuso das exigências éticas. A severidade destas não prejudicaria muito, caso a educação dissesse: 'Assim deveriam ser os homens, para serem felizes e tornarem os outros felizes; mas é preciso ter em conta que eles não são assim'. Em vez disso, fazem o jovem acreditar que todos os demais cumprem as prescrições éticas, que são virtuosos. Nisso é fundamentada a exigência de que ele também o seja."
Freud, O mal-estar na civilização, nota de rodapé nº 30.

Apesar de ter reservas a Freud, quanto a sua visão estrita à sexualidade, aqui vale ressaltar o importante alerta exposto, quanto à necessidade de preparar os alunos pra um mundo perverso em sua manutenção do status quo.
Não falo em menosprezar valores éticos, mas expor a estrutura de dominação em que vivem: agir eticamente, mas preparado para poder não ser recebido da mesma forma.
O mais triste é que nosso sistema escolar simplesmente reproduz a sociedade, de forma a ser, antes a última morada, mais um, talvez o primeiro (quando o próprio lar já não o é) locus de opressão.

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