Uma coisa me deixou profundamente intrigado com o alarde sobre o número de notas zeros em prova de redação do ENEM de 2014: 529.373.
As pessoas pensam logo em analfabetos, mas, não descartando esta possibilidade, penso em desvio dos critérios atuais que são cobrados para a redação do ENEM. Fato que é diferente de se zerar por não saber escrever, não menos importante, mas diferente.
Vamos aos números:
217.339 fuga do tema;
13.039 copia do texto motivador;
7.824 redação com menos de sete linhas;
4.444 não atender ao tipo textual;
3.362 partes desconectadas;
955 ferir direitos humanos;
1.508 outros motivos.
Totalizando 248.471 candidatos zerados.
Procurei, mas não encontrei o paradeiro dos outros 280.902 candidatos.
Que representa mais da metade deste total dos "zerados".
Bem 529.373 representa 6% dos 8.721.946 inscritos.
Foram 205.514 vagas para o SISU e 213.113 vagas para o Prouni.
Sei que é uma análise numérica grosseira, pois não estou observando quantos concorreram a cada modalidade, não estou observando as vagas de meio de ano, não estou observando o FIES, mas mesmo assim tem-se que menos de 4,8% dos que se propuseram (nem todos os que terminam o Ensino Médio tentam) fazer o ENEM terão direito a fazer um curso com o custeio do Estado. Sendo que menos de 2,4% ingressarão em uma universidade pública. E nem todos terminarão.
É uma pequena elite, infelizmente.
Olhando por este lado, 6% de notas zero na Redação é insignificante.
