sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Uma coisa me deixou profundamente intrigado com o alarde sobre o número de notas zeros em prova de redação do ENEM de 2014: 529.373.
As pessoas pensam logo em analfabetos, mas, não descartando esta possibilidade, penso em desvio dos critérios atuais que são cobrados para a redação do ENEM. Fato que é diferente de se zerar por não saber escrever, não menos importante, mas diferente.
Vamos aos números:
217.339 fuga do tema;
13.039 copia do texto motivador;
7.824 redação com menos de sete linhas;
4.444 não atender ao tipo textual;
3.362 partes desconectadas;
955 ferir direitos humanos;
1.508 outros motivos.
Totalizando 248.471 candidatos zerados.
Procurei, mas não encontrei o paradeiro dos outros 280.902 candidatos.
Que representa mais da metade deste total dos "zerados".
Bem 529.373 representa 6% dos 8.721.946 inscritos.
Foram 205.514 vagas para o SISU e 213.113 vagas para o Prouni.
Sei que é uma análise numérica grosseira, pois não estou observando quantos concorreram a cada modalidade, não estou observando as vagas de meio de ano, não estou observando o FIES, mas mesmo assim tem-se que menos de 4,8% dos que se propuseram (nem todos os que terminam o Ensino Médio tentam) fazer o ENEM terão direito a fazer um curso com o custeio do Estado. Sendo que menos de 2,4% ingressarão em uma universidade pública. E nem todos terminarão.
É uma pequena elite, infelizmente.
Olhando por este lado, 6% de notas zero na Redação é insignificante.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Passeando pelas provas do ENEM, deparei-me com um gráfico muito interessante.
Fui até a fonte descrita na questão da prova de Matemática de 2013: Nova Escola, São Paulo, dezembro de 2010.
O título do texto: "O valor das férias para a formação cultural dos alunos", trata a importância do horário livre, remetendo tanto ao descanso quanto à diversificação cultural, que me faz lembrar o livro tão falado à época de seu lançamento: "O ócio criativo" de Domênico de Masi.
Eis o gráfico:


 Ele pode ser encontrado em:
<http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/planejamento-e-financiamento/valor-ferias-formacao-cultural-alunos-611957.shtml?page=1>
A questão da prova era: "Dos países com notas abaixo da média nesse exame, aquele que apresenta maior quantidade de horas de estudo é", que tinha como resposta esperada Israel.
A pergunta que deixo é: como os órgãos governamentais, que gostam e endossam tanto os números, justificam a guarda dos filhos dos trabalhadores na escola (pois creio que seja para isso que serve o período mais longo dos jovens na escola), com a falácia da maior eficiência acadêmica?