segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

“Ensinar o povo a ver criticamente o mundo é sempre uma prática incômoda para os que fundam os seus poderes sobre a inocência dos explorados...”.
Paulo Reglus Neves Freire

Lendo apenas esta frase, percebe-se muito dos motivos para a forma como são conduzidas as políticas públicas em Educação.
Sistemas que concentram ou permite que se concentre poder, faz uso ou é refém de uma dita educação que impede que todas as instâncias da sociedade participe igualitariamente nas decisões do que é comum a ela.
Além disso, aqueles que porventura ousarem desafiar esta lógica cruel, é de alguma forma 'convidado' a se calar.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Galera,
Na minha formatura no curso de Educação Física, a Paraninfa, ao proferir sua fala disse algo assim: nesta sociedade dividida por classes, onde alguns obtêm privilégios e outros não, que ela esperava que nós alcançássemos sucesso em nossas escolhas.
Eu acrescento: nessa sociedade, que se diz meritocrática e nós percebemos privilegiar sempre as mesmas castas. E na sua fúria de convencer de que é possível uma ascensão se servirem de alguns excluídos como exemplo para tal propósito, é gratificante ver que temos entre nós pessoas que obtêm pequenos privilégios.
Mas não se enganem, a luta para conquistarmos uma sociedade mais justa pode ser feita usando como arma o próprio objeto de privilégio e não assumindo-o como um fim em si mesmo.
Parabéns aos meus eternos queridos.
Cláudio Barcellos
31 de março de 2013.

Mensagem para os alunos, então ganhadores do Tablet, pelo Estado / Governo Federal, devido ao desempenho acadêmico medido pelo SAERJ.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

"O fato de ocultar ao jovem o papel que a sexualidade terá em sua vida não é a única recriminação que se deve fazer à educação atual. Ela também peca em não prepará-lo para a agressividade, de que ele certamente será objeto. Ao soltar os jovens na vida com uma orientação psicológica tão incorreta, a educação age como quem envia pessoas para expedição polar com roupas de verão e mapas dos lagos italianos. Torna-se aí evidente um certo abuso das exigências éticas. A severidade destas não prejudicaria muito, caso a educação dissesse: 'Assim deveriam ser os homens, para serem felizes e tornarem os outros felizes; mas é preciso ter em conta que eles não são assim'. Em vez disso, fazem o jovem acreditar que todos os demais cumprem as prescrições éticas, que são virtuosos. Nisso é fundamentada a exigência de que ele também o seja."
Freud, O mal-estar na civilização, nota de rodapé nº 30.

Apesar de ter reservas a Freud, quanto a sua visão estrita à sexualidade, aqui vale ressaltar o importante alerta exposto, quanto à necessidade de preparar os alunos pra um mundo perverso em sua manutenção do status quo.
Não falo em menosprezar valores éticos, mas expor a estrutura de dominação em que vivem: agir eticamente, mas preparado para poder não ser recebido da mesma forma.
O mais triste é que nosso sistema escolar simplesmente reproduz a sociedade, de forma a ser, antes a última morada, mais um, talvez o primeiro (quando o próprio lar já não o é) locus de opressão.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Sexta-feira uma aluna querida, talvez meio incomodada com minha insistência em animá-los a fazer uma atividade que reconheço ser difícil, disse:
"Poxa, professor, o senhor acredita mais em nós que nós mesmos!"
Desarmado com o seu dizer, eu somente sorri.
Agora, com um pouco mais de tempo para refletir, vai a minha resposta:
Sabendo do quanto o nosso processo educacional exige um modelo que não cabe a todos. E sabendo, também, que muitos colegas preferem delegar este problema para os alunos. Se eu não tentar reverter isso, fazendo vocês crerem do que vocês REALMENTE são capazes, não me presto a estar ali, ao lado de vocês.
Cláudio Barcellos
9 de junho de 2013.